São espelhos tudo o que encaro.

Escrevi teu nome na umidade do espelho do banheiro e assim que coloquei a perninha do “A”, veio tua imagem refletida passar por de trás de mim. Sinto teu abraço e tua respiração no meu pescoço, quente assim como teu cabelo molhado que toca meu ombro. Você solta uma risada baixa ao ver o que escrevi e diz que eu realmente devo estar apaixonada por você. Escondo meu rosto na toalha, fingindo que estou apenas secando o cabelo, e não com vergonha, sem dizer nenhuma palavra .. até que você a puxa de mim e enrola seu corpo, perguntando o que vamos comer hoje a noite. Se você deixasse eu me secar, talvez eu pudesse fazer um macarrão para nós dois, que tal? Tudo bem, mas acho que o vinho acabou. Olha debaixo do armário, tem uma garrafa lá.

Vou para o quarto e começo a me vestir, até você aparecer na porta com a garrafa e abridor em mãos. Abre. Fraca. Olha aqui o fraca. Teus socos nem doem. Humpf. Toma aqui, vou só me vestir e já vou lá.

Teus dedos tocam os meus enquanto te entrego a garrafa e você me abraça, aqueles abraços totalmente inesperados e que me fazem sentir como a pessoa mais importante da terra. Me dá um daqueles beijos que me tiram o ar.

Jantamos sem trocar uma palavra, você me chuta com os pés e ri da minha cara suja de molho, enquanto eu faço caretas para você. Não joga molho no meu cabelo, acabei de lavar, ô. Fresca. Sorrisos eram trocados.

Eu lavava a louça enquanto você secava, sempre me batendo com o pano molhado. Boba. Bobo. Feia. Feio. Chata. Chato. Eu te amo. Eu .. eu também. […] Boba.

Por dentro, eu desabava. Sorriso. Era questão de tempo.

Abro os olhos e passo a mão sobre o espelho, e junto com seu nome era sua imagem quem desaparecia, para permanecer apenas na minha memória e dar lugar para que o espelho refletisse meus olhos vermelhos.

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