– Quando eu tinha uns 5 anos, olhava para o céu quando chovia, e imaginava o que tinha acontecido de tão ruim para as pessoas que moram no céu chorarem tanto. E eu nunca achei que as nuvens eram pedaços de algodão. Achava que as pessoas, as mesmas que choravam, haviam tomado banho quente e se formaram pedaços de vapor no céu. Que o mundo era um grande espelho, e as partes onde não haviam nuvens, era porque alguém ficava desenhando.

Amanda ficou me olhando por um bom tempo, como se me entendesse.

– E o que te fez desacreditar disso, pequeno?
– Não sei.
– Quem sabe o mundo seja realmente um espelho gigante, onde todo mundo se vê, e o tempo todo?
– Não pode ser, não me vejo em quase nada aqui.
– Eu te vejo, em quase tudo, sempre vi. É como se tivesse um pedaço seu em tudo que olho.
– Mas tu não se vê.
– Quando olho pra você, sim.

Permanecemos em silêncio por muito tempo. Lembrei de como Amanda adorava brincar comigo, então nem pensei muito no que tinha ouvido. Tentei lembrar da Aline, nem sei porque. De quando estava frio e ela ficava esfregando uma mão na outra para se esquentar. Queria poder oferecer minha mão para esquentar a dela, mas Aline não gostava muito de demonstrações de afeto. Quem se importa? Existem pessoas que a gente simplesmente gosta, sem motivo. Até mesmo se essa pessoa nem existir.

– Amanda.
– Oi?
– Um dia, casa comigo?
– Só se for pra envelhecermos juntos.

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