Quando o ídolo vira fã

Eu era um cara que ouvia apenas heavy metal e, fui em um show da Cidadão Quem em Rio Grande. [Atônito] Pensei ‘que isso, cara… os caras são demais’. Depois daquele show, dormi 19 horas e quando acordei disse ‘eu quero ser o Duca Leindecker. Tudo o que eu vi ontem foi a coisa mais preciosa da minha vida!’. Lembro que fui numa locadora, aluguei os dois CDs, gravei numa  e ficava o dia inteiro ouvindo.

Quando fui pro Planeta Atlântida, viajei 12 horas de ônibus, passei o dia inteiro na fila e pra mim, quando o show começou eram os Beatles na minha frente. Eu nem acreditava no que estava vendo. Eu lembro de cantar tudo, com uma camiseta, alucinado e de repente… o Duca apontou pra mim!!

Meu ídolo, velho!!! No final show o ( baterista subtituto da Cidadão Quem) atirou uma baqueta e quem pegou fui eu. Algo que tenho, guardo e gostaria de ser enterrado com ela. Escondi a baqueta em baixo da camiseta porque pensei que iriam me matar a pau pra ter aquela baqueta. [risos].

Quando cheguei, no estande que vendia a Revista Atlântida (publicação que naquele número trazia a banda na capa e um CD encartado) eu vi uma camiseta da banda que eu queria. A menina da rádio, que não sei quem é, mas Deus salve essa guria, quando eu disse que era de Camaquã, me pegou pela mão e me colocou na porta do camarim, mas eu não pude entrar. De repente, veio o Duca com um monte de camisetas, autógrafos, me abraçando… e em seguida o Alemão[Luciano Leindecker]

– Cara, tu cantou todo o show… – disse o Duca.
*atônito*
– A gente vai dar uma sessão de autógrafos. Vem comigo…

“Me diz, como que um ídolo chega para um fã e diz ‘vem comigo’, assim. Não pode fazer isso. Pode matar uma pessoa do coração. Lá pelas tantas o Alemão falou:

– Toma meu telefone.
Eu só pensei.. “como assim?”
– Quando tu for a Porto Alegre nos liga.

“Pensei… ‘tá tudo errado, isso… não pode ser’. Dois dias depois, o Alemão me ligou:

– E ai, Phellipe. Tu ainda está em Porto Alegre?
– Sim, sim.. [*atônito*]
– Pode levar um material nosso pra Curitiba?

Na minha cabeça, eu já era um divulgador da Cidadão.No meu mundo onde o Duca ia do estúdio até a casa dele de helicóptero e o Cau andava de Ferrari, eu era um cara que ele sabia meu nome… Achava que no escritório da banda, na Tasso Fragoso, haviam seguranças de metralhadora na frente [risos].

Quando voltei para Porto Alegre  eu passava todos os dias com o Duca. Ele me convidava e eu ia. Enquanto ele trabalhava eu ficava assistindo a vídeos antigos da banda. À tarde o Alemão chegava e dizia ‘vamos fazer um som lá no fundo’ e eu tocava com ele. Todos me tratavam tri bem. Eu tocava com eles, os via saltar de paraquedas. Daí, eu lembrei que o Cau morreu assim. Do nada. E o caralho… e o Cau morreu. E tudo mudou

“De repente, eu conheço o meu ídolo, o cara mais foda que eu conheci… porra… os caras me tratava tão bem.. com tanto respeito… lembro dos guris na piscina do meu prédio e tocando e…ai, cara… eu era tão fã que eles me tratavam com respeito enorme. Embora eu tenha 14 anos, quando eu tenho que falar com ele (Duca), me torno num menino de 9. Já toquei com todo mundo, mas quando eu chego perto do Duca… é o mestre. Eu meço as palavras antes de falar qualquer coisa. Mas ao mesmo tempo, o Duca é um cara muito simples. O problema é que ele é uma referência muito forte, a importância dele é comparada ao respeito de pai e mãe. Os caras me respeitam até hoje.. eu levava os caras tão a serio que eu acho que não incomodava.”

Eu fui lá, na frente cantando do primeiro show sem o Cau,  pra dizer que os fãs estavam lá. E é uma camisa que eu visto até hoje. Enquanto todo mundo me via como ‘o cara da Bandinha’, eu estava nem ai.  [extremamente irritado] Daí vem alguém e me diz…’cara, me parece que ele já era fã da banda’! Se eu fosse velho diria ‘me respeitem. Sou da época do finado Cau’.

– Quando eu tocava apenas em Porto Alegre, ninguém me dizia que eu tocava pra caralho, exceto o Duca (Leindecker, Cidadão Quem. Por isso, coloquei os pés no chão. Tinha uma galera que me dizia que eu tocava muito que era o Ralf, o Duca.. tinha meus amigos, meus colegas que tocavam comigo..

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