aos poucos.

Sou um privilegiado. Tenho saúde, casa, família, amigos, abrigo e alimento. Amor. Minha própria religiosidade. Meu emprego, ainda não remunerado, mas que me traz alegrias pessoais e espirituais. Tenho uma paixão, para me manter aceso. Não passo dificuldade.
E ainda assim não sei lidar com meus defeitos. Sinto vergonha de mim mesmo e sou um cidadão passivo. É um mundo complicado. São tempos difíceis. Nada faz um sentido no mínimo coerente. Pessoas dormem nas calçadas. Morrem de fome. Pessoas matam pessoas. Eu mesmo me castro. Eu mato a mim mesmo todo dia. Que formatação é essa? Não quero sentir ódio ou raiva. Não quero ganhar nunca. O que é ganhar? Como dizia o filme: “É irracional temer um evento se, quando esse evento ocorre, não existimos. E uma vez que, quando a morte está existindo, nós não estamos. E quando nós estamos existindo, a morte não está. Então é irracional temer a morte. Alguém pode da mesma forma, afirmou Epícuro, temer o nascimento…” Assim, pareço temer o nascimento todo dia. É algo como estar confortável em uma posição incômoda. Aceitar o desconforto. Deixar que a vida inteira escorra sob a insígnia de cada segundo.
Tenho tido vontade de chorar às vezes. O que se faz com esse mundo? Olha pra gente. Como ficar em paz? Fugir não é exatamente uma alternativa. Coniver? Fazer o meu papel. Mas o meio é mais uma parte do engano todo. Será que todos estão surdos? Me sinto ator de mim mesmo às vezes, interpretando no teatro mais ingrato. Me lembrei do gosto dos dias mais depressivos que tomei conhecimento. Não tive vontade de fazer nada. Precisei levantar e me mexer dentro de casa. Vou escovar os dentes. Quando se está em casa e não se escova os dentes é um sinal preocupante. As unhas crescem, a barba idem. Semana passada eu decidi confrontar, nesse domingo quem perdeu foi eu. Mas as horas passam e a noite me toma. Agora parece estar tudo bem. O silêncio me agrada e o incenso está no fim. Outra dia que morri um tanto para renascer outra vez. Não me prometo nada. Esse mundo ainda me parece estranho.
Muito amor.

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