Capítulo 2

Vejo alguns pequenos cômoros antes do Clube de Pesca. Já faz algum tempo que saí de casa para esta fuga disfarçada de passeio. Que lugar imenso! Uma praia repleta de vazios propícios para a hegemonia do vento. Um espaço sem barreiras onde me enxergo na proporção de apenas um homem ao sol deste lugar distante de mim mesmo. Onde estou na verdade? Sei que minha alma não está comigo, está viajando para os endereços que minhas lembranças ou projeções a enviam.
Uma sensação de conforto invade meu corpo quando me transporto para os lugares mais agradáveis da minha imaginação estando sempre lá e aqui, um ou outro. Vivendo o que penso enquanto penso o que vivo. Onde estará a Vitória? Agora tenho certeza que não a encontrei aqui na praia. Olha para aquele gramado e vejo que o tempo passou implacável por nós. Lembro de imagens congeladas que ficaram na lembrança como um disco arranhado repetindo sempre a mesma fração. Não sei se isto é bom, pois a memória guarda tudo que marca, e tudo de tudo, apesar da impressão de que muito se perde. Cá estou divagando de novo. Sempre falando baixinho, avaliando e concluindo coisas. Até quando ficarei concluindo coisas?

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