Capítulo 4

Fomos para o show e, no ônibus, eu estava leve. Na cidade, nos receberam como celebridade e, à noite, o show estava lotado. Não tivemos nenhum problemas com bandas de abertura nem com pagamentos ou equipamento de som, O Monteiro estava calmo, apesar de ter brigado com o porteiro do hotel. Quando tudo estava calmo demais, ele dava um jeito de brigar com alguém e, nesse caso, ninguém melhor que um porteiro para se puxar uma briga. Nada de mais, só uma briguinha. No show, correu tudo perfeito, a banda já estava no final da turnê e o público já era composto, além das pessoas da cidade, de alguns grupos que começavam a seguir a banda. O mais marcante era um grupo chamado Bala-Bala. Eles bebiam tanto que, no final dos shows, ficavam deitados no meio do salão como uma pilha e corpos até que alguém os jogassem para fora.
Naquela noite, conheci uma menina que durante o show passou o tempo inteiro me olhando. Eu normalmente não ficava com ninguém; primeiro, porque não era artista e, depois, porque gostava e fazer o meu trabalho sem perder mais concentração do que já perdia ao ficar admirando o som, que me fascinava. Ela se aproximou assim que acabei de recarregar o ônibus na saída bar, antes da volta para o hotel.
– Tu trabalha há muito tempo com a banda? – perguntous ela, puxando conversa.
– É, faz um tempo.
Depois de quinze minutos de conversa frente ao bar, convidei-a para entrar no ônibus, que possuía poltronas confortáveis. Seu rosto era bem delineado e seu nariz chamava atenção: era bonita, magra, bem branquela e alta. Assim que ficamos mais à vontade, comecei a sentir o clima de abertura, enquanto ela desenvolvia um papo cabeça do tipo:
– Acho que as pessoas são muito materialistas, blá, blá….
Eu criava feições com os lábios improvisando todo charme que pudesse encontrar. Esperei mais um pouco, pra ter certeza de que não estava me precipitando, e, livrando o cabelo do seu rosto, inclinei-me para o beijo que daria início àquela viagem. Usava o maior número possível de membros para tocá-la com firmeza, acariciava cade pelinho tentando sempre ir mais adiante. Aos poucos consegui conquistar a região norte, com um certo esforço desabotei a blusa de chenile e, com sorte, consegui deslocar o sutiã ao ponto de alcançar as duas colinas tão sonhadas. Para a região sul não era assim tão fácil, ela relutava usando todos os argumentos possíveis, enquanto eu aproveitava os papos dela para reargumentar.
Cada instante se passava mais intenso. Sentia meu corpo quente, e com aquela dificuldade toda, já começava a surgir uma pequena dorzinha. Fui obrigado a criar mais espaço abrindo os dois primeiros botões da minha calça jeans coringa. O tempo passava e eu comecei a ficar preocupado com o retorno da banda para o ônibus. Depois de quase uma hora de beijos e amassos, ela estava finalmente, apenas de calcinha. E de calcinha ela ficou mais tempo que eu esperava.
– A gente já chegou até aqui… – falava, tentando persuadi-la.
– Uh, calma! – ela dizia, numa entonação contrária ao texto.
Estava explodindo, que ela jogou-se para trás e soltou uma frase que me fez disparar o coração, enquanto segurava a calcinha pelas laterais com as duas mãos.
– Tem uma coisa que eu não te disse!
– O que é? – falei, surpreso.
– Eu não sou menina.
O silêncio mais absoluto intalou-se ali naquele instante. Tudo emudeceu… As cores se foram e eu fiquei sem fala. O barulhodo bate-estava que não cessava, em um momento de choque. Não desviei o olhar dela, ou melhor; dele. Não estava acreditando. Bem que eu tinha reparado na estatura exuberante e levemente desproporcional. Em uma fração de segundo, questionei minha masculinidade e minha real relação com o homossexualismo. Analisei o que significava tudo aquilo para ela e para mim e quais as consequências das minhas possíveis reações. Lembrei das frases violentas dos amigos mais radicais e permaneci mudo por quase trinta segundos, escorado nas costas da poltrona à nossa frente. Comecei um esclarecimento explicando que, apesar de respeitas as opções sexuais, não sentia atração por ele, ou ela, e antes que eu começasse surgiu a frase que eu já não esperava mais:
– Brincadeirinha!
Ao mesmo tempo que eu não acreditava naquela brincadeira insólita um grane alívio tomava conta de todo o meu corpo tenso, na verdade nem todo, pois uma parte dele havia perdido toda aquela cena e ficar com aquele sorriso aberto no rosto. Recuperei a tensão necessária, busquei no bolso de dentro do casaco uma camisinha que guardava há algum tempo e deixei que os nossos desejos tomassem conta do resto, seguro de que ela dominava melhor do que eu aquela dança.

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